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sábado, 23 de maio de 2015

ENTRANDO E SAINDO DA PRESENÇA DE DEUS

Próximo domingo quando eu for para o culto na minha igreja eu NÃO VOU ENTRAR NA PRESENÇA DE DEUS.
Me perdoe... 
Não me leve à mal...
Não me condene por tal afirmação...
Mas...
Eu JÁ ESTOU NA PRESENÇA DE DEUS. 
Seja o que for que acontecer ELE NÃO ME ABANDONA.
 Seja me orientando, seja me animando, seja me corrigindo, seja me disciplinando.

Vou para igreja para Louvá-lo, aprender mais sobre Ele e encontrar outros irmãos na fé, isso sim.
A Bíblia diz: "O Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares." (Josué 1.9)
E também diz "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I cor 3.16)

Quando você se encontra fora do templo então você não tá na presença de Deus? 
Deus encontra-se ausente? 

Base bíblica para isso por favor!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A CULTURA LOCAL E SUA RELAÇÃO COM O CULTO CRISTÃO

Muitos são os debates acerca de como os cristãos devem se relacionar com a cultura local. Alguns afirmam que todos os elementos culturais podem ser adaptados e adotados pela igreja, outros afirmam que devemos ser bastantes seletivos para com a cultura. Outros cristãos (não poucos) simplesmente não sabem como se relacionar com a cultura local.

As perguntas são muitas. Que devemos fazer quanto aos usos, costumes e elementos culturais de nossa época? Adota-los integralmente? Adapta-los? Filtra-los? Utiliza-los no culto congregacional? Esse é um assunto bastante relevante para igreja de Cristo ao redor de todo o planeta.

 Definição de Cultura

Definir cultura não parece ser uma tarefa tão fácil.  Para se ter uma ideia, os antropólogos já criaram mais de trezentas definições sobre o que significa cultura.

Entretanto a definição  mais corrente é a formulada por Edward B. Tylor, segundo a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

A cultura está intimamente ligada à linguagem e se expressa em provérbios, mitos, contos populares e diversas formas de arte, que constituem parte do conteudo mental de todos os membros do grupo. A cultura influencia fortemente as ações que se desenvolvem em comunidade: ações de culto e de bem-estar geral; leis e a administração da justiça; atividades sociais como danças e jogos; unidades de ação menores como clubes, sociedades e associações para uma imensa variedade de fins comuns.


Como o cristão deve se relacionar com a cultura?

O artigo 10 do Pacto de Lausanne, nos dá uma concisa resposta acerca de como os cristãos devem se relacionar com a cultura:

A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões, muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.
A redação e leitura da Bíblia, a apresentação do evangelho, a conversão, a igreja e a conduta – tudo isso é influenciado pela cultura.

Os elementos culturais no culto solene

Deus é o Pai da cultura, devido ao fato de esta ser parte inseparável da criatura humana. Tudo o que Deus criou é bom (Gên. 1.31) .Deus criou o ser humano macho e fêmea, à sua própria imagem dotando-o de faculdades distintas e peculiares: racionalidade, sociabilidade, moralidade, criatividade e espiritualidade. Ele também lhe ordenou que tivesse filhos, ocupasse a Terra e a dominasse (Gn 1:26-28). Esses mandamentos divinos são a origem da cultura humana.

Quando uma sociedade é transformada pelo evangelho, consequentemente a sua cultura também é transformada. Como bem disse o pacto de Lausanne, a cultura deve sempre ser julgada e provada pelas escrituras, deixando somente a parte bela e boa. Quando isso é feito a cultura torna-se semelhante ao seu estado de originalidade, assim como Deus criou: santa e agradável a Ele.

Infelizmente muitas comunidades cristãs não lidam com a cultura como deveriam e esse erro se manifesta inclusive nos cultos solenes dessas comunidades. Podemos notar exemplos péssimos, como alguns que citarei.

No ano de 2010 visitei uma determinada Igreja neopentecostal, no Bairro do Bessa, em João Pessoa; nessa ocasião presenciei um grande erro na forma de louvar a Deus: os instrumentos musicais eram tocados de forma bastante barulhenta, com os amplificadores de som ligados a uma potência insuportável. Ao questionar um membro de lá sobre o porquê daquela forma de louvor ele argumentou que aquela era uma igreja composta quase que inclusivamente de jovens e por isso que o estilo musical da igreja era “bem animado e agitado”. Daí comentei sobre a possibilidade de entrar alguém na igreja que se sinta incomodado por tão grande “intensidade de decibéis”. Ele simplesmente insistiu que essa era a forma de louvor daquela igreja e que esse estilo era uma ferramenta de Deus para atrair os jovens da igreja.

Certa vez sucedeu que uma Igreja Batista decidiu fazer um “culto junino”, onde o templo parecia um grande arraial. Colocaram bandeirinhas, penduraram balões e outros enfeites do gênero, o pastor vestiu-se a rigor assim como os diáconos e o ministério de louvor. Indaguei alguns membros desta igreja sobre o exagero presente nesta cerimônia religiosa, inclusive com uso de elementos tradicionalmente católicos romanos. Alguns simplesmente não souberam explicar,preferindo o silêncio; outros infelizmente me taxaram de radical.

Abaixo enumero seis princípios que dizem respeito ao culto solene e sua relação com a cultura local:

1.      O propósito do Culto solene deve ser primeiramente adorar a Deus.
2.      A reverência é essencial.
3.      Não podemos inibir os cristãos de fazerem uso de elementos típicos de sua cultura local.
4.      Os elementos culturais utilizados no culto devem ser isentos de qualquer forma de desrespeito a Deus e/ou ao próprio homem.
5.      A maneira de adorar a Deus na igreja deve ser contextualizada.
6.      A igreja nunca deve se prender tanto à sua cultura, de maneira que os visitantes de outra cultura não se sintam bem-vindos.


CONCLUSÃO

Para concluir esse trabalho podemos utilizar a mesma conclusão do  Relatório da reunião de consulta sobre o evangelho e a cultura Lausanne:

“Reconhecemos que todas as igrejas devem contextualizar o evangelho a fim de partilharem-no eficazmente em sua própria cultura. Para essa tarefa de evangelização, todos nós conhecemos a nossa urgente necessidade do ministério do Espírito Santo. Ele é o Espírito da verdade, que pode ensinar a toda a igreja como relacionar-se coma cultura que a envolve. Ele é também o Espírito do amor, e o amor é a “linguagem que toda a cultura humana compreende”. Que o Senhor nos encha, pois, com seu Espírito! Então, falando a verdade em amor, cresceremos em Cristo, que é o cabeça, para a glória eterna de Deus (Ef 4:15).”
Deus deseja que todas culturas se almodem a Sua vontade. Para isso a igreja deve reconhecer seu papel nessa maravilhosa regeração.





Referências Bíbliográficas

- Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial. O Evangelho e a Cultura. São Paulo: ABU Editora e Visão Mundial, 1983.

- Til, Cornelius Van. Essays On Christian Education.


Helton de Assis Freitas 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ENSAIO ECLESIOLÓGICO



Ao contrário do que muitos pensam...
A verdadeira igreja não serve ao capital, mas sim ao Deus justo e amoroso e ao próximo

A verdadeira igreja não é composta por alienados, mas sim por pessoas que sabem no que crêem. 
A verdadeira Igreja não é isolada do mundo, mas reconhece sua missão dentro dele.
A verdadeira igreja não foi extinta no tempo do cristianismo primitivo, mas sempre existiu, mesmo que pouco percebida muitas vezes. 
A verdadeira igreja não compactua com atrocidades e injustiças, mas se manifesta perante elas.

A verdadeira igreja não é marcada pela hipocrisia, mas  reconhece que o charlatanismo é vergonhoso. 

A verdadeira igreja não é composta por pessoas que se ensoberbecem e se orgulham de sua "superioridade espiritual", mas sim por pecadores esforçados.
A verdadeira igreja não se prende a costumes vazios e superstições religiosas, mas cultiva uma espiritualidade simples e um cristianismo natural.
A verdadeira igreja não idolatra seus membros mais famosos, mas coloca Cristo e seus ensinamentos sempre no centro das atenções.

A verdadeira igreja não espera por datas comemorativas para servir a comunidade , mas seu amor  inspira diariamente.
A verdadeira igreja não depende da aprovação externa, mas é movida pela certeza da aprovação de Deus.
A verdadeira igreja não prejudica o mundo, mas possui uma reputação inviolável.
A verdadeira igreja não negocia seus valores e mensagem, mas reafirma-os em qualquer contexto.
A verdadeira igreja não divide a si mesma, mas se mantém unida mesmo em meio às arengas humanas. 

A verdadeira igreja não é limitada a determinada placa, mas é composta por cristãos verdadeiros seja qual for a denominação. 
A verdadeira igreja não é fundamentada em regras criadas por seres humanos, mas é motivada na vontade de Deus para a humanidade.


"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." (Mat. 7.21)

Profº Helton de Assis Freitas

heltondeassis.blogspot.com.br

terça-feira, 8 de abril de 2014

Como Reconhecer uma Seita



Conheça as cinco características comuns e marcantes das seitas
Escrito por Augustus Nicodemus Lopes


Existem milhares res de religiões neste mundo, e obviamente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mateus 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1 Timóteo 4.1-2). Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que todos os que pertencem a uma seita são desonestos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum:
(1) Elas têm outra fonte de autoridade além da Bíblia. Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas revelações.
(2) Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo. Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem divinizado, a um espírito aperfeiçoado através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.
(3) As seitas ensinam a salvação pelas obras. Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensino bíblico da salvação pela graça mediante a fé.
(4) As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.
(5) As seitas se consideram o grupo fiel dos últimos tempos. Elas ensinam que receberam algum tipo de ensino secreto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que ao nos aproximarmos do fim do milênio, cresce o número de seitas afirmando que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.
Podemos e devemos ajudar as pessoas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está escrito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da verdade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mesmos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutrinas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo, para recebermos dele poder e amor e moderação.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O PROTESTANTISMO NO BRASIL COLONIAL


(Texto revisado)

A presença dos evangélicos no Brasil remonta o século XVI, quando os huguenotes (calvinistas de origem francesa) chegaram ao Rio de Janeiro  com o propósito de ajudar a estabelecer um refúgio para os protestantes perseguidos na França. Todavia estes tiveram problemas com  Villegaignon que entrou em conflito com os calvinistas devido a determinados posicionamentos doutrinários, especialmente no que diz respeito a questão dos sacramentos. Ordenados a saírem do Brasil, os colonos reformados embarcaram em um navio de volta para a França. Em meio a excesso de passageiros e pouca comida à bordo, a embarcação começou a afundar quando estavam ainda na altura de Cabo Frio, e assim cinco genebrinos resolveram voltar de bote.  Assim que chegaram em terra foram presos: Jean du Bordel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur. Pressionados por Villegaignon, foram obrigados a professar por escrito sua fé, no prazo de doze horas, respondendo uma série de perguntas que lhes foram entregues. Eles assim o fizeram, e escreveram a primeira confissão de fé protestante das Américas, sabendo que com ela estavam assinando a própria sentença de morte. Essa declaração de fé é conhecida como a ”Confissão de Fé de Guanabara” (1558). Em seguida, os três primeiros foram mortos e Lafon, o único alfaiate da colônia, teve a vida poupada. Balleur fugiu para São Vicente, SP, foi preso e levado para Salvador (1559-67), sendo mais tarde enforcado no Rio de Janeiro, quando os últimos franceses foram expulsos.

Quase 100 anos depois, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais com o objetivo de conquistar e colonizar territórios da Espanha nas Américas, especialmente uma rica região açucareira: o nordeste do Brasil. Em 1624, os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte. Finalmente, em 1630 eles tomaram Recife e Olinda e em seguida boa parte do Nordeste, incluindo a Paraíba.  Neste período, especialmente durante o governo do conde João Maurício de Nassau-Siegen, que governou esta região entre 1637 a 1644,  foi concedida uma boa medida de liberdade religiosa aos residentes católicos e judeus, e a Igreja Reformada da Holanda passa a ser considerada a igreja oficial. Segundo pesquisadores deste período da história brasileira foram criadas no mínimo vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios reformados (o de Pernambuco e o da Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Mais de cinquenta pastores ou “predicantes” serviram essas comunidades. 

A Igreja Reformada realizou uma intensa obra missionária junto aos indígenas. Além de pregação, ensino e beneficência, foi preparado um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução da Bíblia e a futura ordenação de pastores indígenas. Em 1654 os holandeses foram expulsos do nordeste, transferindo-se assim para o Caribe.
Segundo a historiadora cearense Jaquelini de Souza a primeira igreja protestante  brasileira surge a partir da ocupação holandesa no Nordeste: A Igreja Reformada Potiguara. Esta foi criada por índios potiguaras que foram convertidos por holandeses . Mesmo após a expulsão dos batavos, tais congregações cristãs se expandiram pela Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Perseguidos pelos portugueses tais índios convertidos se refugiaram no Ceará. 

Desde então, não se conhece relatos de cultos protestantes no Brasil colonial. Todavia,  com a chegada da família real e com a abertura dos portos  às nações amigas,  as confissões protestantes começaram paulatinamente a chegar ao país. Os Anglicanos chegam em 1811. Há registros que inclusive apontam a presença de anglicanos morando na Paraíba neste período. A Ilha Stuart (localizada no estuário do rio Paraíba) abrigou alguns ingleses anglicanos durante a primeira metade do século XIX.

Em 1824 chegam no Brasil os luteranos, os Congregacionais em 1855, os presbiterianos em 1859, e  os batistas em 1871. 


Referências bibliográficas

·         Ribeiro, Alvarez Jorge. História da Igreja Presbiteriana na Parahyba. João Pessoa: Fénix, 2003.
·         Souza, Jaquelini. A primeira igreja protestante do Brasil. Higienópoles: Mackenzie, 2013.
·         Matos, Alderi de Souza. História da Evangelização no Brasil. Viçosa: Ultimato, 2003.
·         Blog http://ipjp130anos.blogspot.com.br/   acessado em 17 de fevereiro de 2014, às 17h10min
·         Site http://istoe.com.br/reportagens/328079_OS+PRIMEIROS+PROTES
TANTES+BRASILEIROS acessado em 20 de Janeiro de 2014, às 14h25min
·         Site http://www.monergismo.com/textos/credos/confissao_guanabara.htm acessado em 20 de Janeiro de 2014, às 15h05min

domingo, 6 de janeiro de 2013

LEGALISMO E LIBERTINAGEM


Durante minha caminhada com Cristo passei por inumeraveis e variadas experiências. Cresci muito com outros irmãos, com pastores, viagens missionárias, eventos evangélicos, entre outros. Todavia percebi que, ao contrário do que eu pensava até certo momento, as comunidades cristãs as vezes são vulneráveis a muitos problemas. Isso foi confirmado pelo Senhor Jesus quando afirmou que "há joio no meio do trigo". 

Quero aqui abordar sobre dois problemas comuns em muitas congregações cristãs. O problema do legalismo e o problema da libertinagem. Dois problemas diferentes um do outro, mas que o mesmo tempo são interligados. Vi várias vezes alguns cristãos serem injustamente taxados de legalistas por alguns, como também eu mesmo passei por isso ao manifestar descontentamento com algumas práticas inconvenientes “comuns” em algumas comunidades evangélicas.  

Vejamos e analizemos algumas questões sobre a temática "legalismo e libertinagem"

1.       O real significado de legalismo: Legalismo é o ato de inventar pré-requisitos para salvação, sem nenhuma base bíblica. Legalismo também significa impor fardos religiosos sem sentido sobre a vida de uma pessoa.

O professor James Packer , em seu livro “Teologia Concisa” afirma sabiamente: “Qualquer acréscimo que requeira de nós uma tomada de ação para acrescentar algo ao que Cristo nos deu é um retorno ao legalismo e, de fato, um insulto a Cristo.”  John Hendryx  também define o legalismo de forma  interessante: “Qualquer tentativa de apoiar-se no esforço próprio para obter ou manter nossa justificação diante de Deus é legalismo.

2.       O que não é legalismo: Muitos infelizmente confundem zelo e disciplina com legalismo. A bíblia ressalta a necessidade da disciplina em todas as áreas de nossas vidas. Ninguém vence uma batalha ou alcança seus objetivos sem disciplina. Na vida cristã e no funcionamento ministerial da igreja é da mesma forma: Sem disciplina as coisas ficam bagunçadas.

Todos sabemos que as comunidades cristãs são compostas por pessoas imperfeitas e pecadoras, entretanto Cristo nos exortou a lutar pelo aperfeiçoamento e rejeitar a libertinagem. É aí que entra a disciplina cristã.  Cristo afirmou:

“Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir , ganhastes a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentil e publicano.” (Mateus 18.15-17)

Já Paulo diz:

“Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epistola, notai-o; nem vos associeis com eles, para que este fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.” (2ª Tessalonicences 3. 14 e 15)


Sem zelo e sem censura em determinadas ocasiões nenhuma igreja pode está bem ajustada aos planos de Deus. Enquanto a igreja for composta por seres humanos ela carecerá de orientação e cuidados constantes.  O zelo é indispensável, sem ele nos afastamos das exigências éticas bíblicas, da pureza espiritual e até mesmo do amor.

3.       Exemplos de autêntico legalismo: No Novo Testamento encontramos um caso interessante de legalismo. O evangelho de São Mateus relata Jesus criticando fortemente alguns líderes Judeus que impunham sobre a população ritos e práticas religiosas vazias e prejudiciais para alma:

“...Amarram fardos pesados e os põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos.(...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês fecham a porta do Reino do Céu para os outros, mas vocês mesmos não entram, nem deixam que entrem os que estão querendo entrar. (...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês atravessam os mares e viajam por todas as terras a fim de procurar converter uma pessoa para a sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa duas vezes mais merecedora do inferno do que vocês mesmos.(...) Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês lavam o copo e o prato por fora, mas por dentro estes estão cheios de coisas que vocês conseguiram pela violência e pela ganância. Fariseu cego! Lave primeiro o copo por dentro, e então a parte de fora também ficará limpa!
Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês são como túmulos pintados de branco, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de podridão. Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados.” (Mateus capitulo 23)

Os fariseus do tempo de Cristo são exemplo de praticantes de legalismo. Eles eram meramente formalistas,  muitos inclusive valorizavam fundamentalmente a aparência da ação e negligenciavam motivos e propósitos.  O legalista tende a reduzir  a vida à guarda mecânica de regras.

Nos dias de hoje o legalismo virou algo muito presente no meio evangélico, especialmente no Brasil, um país muito marcado pelo formalismo e tradicionalismo. Existem aqueles que afirmam  que uma mulher ao aceitar Jesus precisa passar a usar apenas saia ou deixar de usar esmalte nas unhas; também existem aqueles que erroneamente afirmam que um cristão verdadeiro não pode tomar nenhum gole de bebida alcoólica pois esta seria intocável para um servo de Deus (é claro que o problema esta em se embriagar ou digeri-la na presença de irmãos de fé frágil). Existe inclusive alguns que afirmam que o cristão não pode assistir uma boa partida de futebol ou torcer para o time de sua cidade conquistar o campeonato regional. Existe legalismo de várias formas, desde o proibir um convertido a escutar uma bela música de Toquinho ou Andrea Bocelli até o ato de impedir uma pessoa de participar de um culto por estar de bermudão.

4.       Exemplos de zelo cristão erroneamente confundidos com práticas legalistas: Infelizmente muitos ao combater práticas negativas e libertinagens no meio evangélico acabam sendo taxados de legalistas. Mas independente do que alguns pensam acerca da disciplina eclesiástica precisamos valoriza-la, pois como vimos ela é fundamental. 
Um exemplo de zelo confundido com legalismo que aconteceu na minha própria vida ocorreu no verão de 2009, durante um acampamento para adolescentes. Na ocasião o pastor responsável pelo evento ao cantar uma música no auditório pediu para que a banda tocasse um pagode, o problema começou quando ele decidiu rebolar semelhantemente àqueles cantores do carnaval baiano em cima de um trio elétrico. Logo após ele chamou mais alguns lideres para dançarem e “requebrarem” com ele e aquela ocasião transformou-se em um autêntico bloco carnavalesco, faltando apenas o abadá. Ao termino da “quebradeira” questionei o “pastor swingueiro” acerca da conveniência do ocorrido e ele simplesmente afirmou ofendido: “O que fizemos foi para chamar a atenção dos não-convertidos e quebrar o gelo. Você parece que não sabe discernir isso. Não seja radical Helton!”. Me arrependo de não ter até hoje respondido: “Desde quando precisamos da ajuda do Diabo para evangelizar e fazer a obra de Deus?”

É triste saber que métodos perigosos tem sido usados por muitas igrejas afim de multiplicar a quantidade de evangélicos. Pior saber que realmente cresce rapidamente o numero de membros de muitas dessas igrejas.  Pena que nem todos percebem que esse tipo de crescimento é semelhante ao crescimento de um frango de granja, cujo desenvolvimento é forçado por hormônios injetados, mas em contrapartida o sabor desta carne é bem inferior ao do frango de criação, com desenvolvimento natural.

São muitos os casos: Alguns seguidores de Jesus são criticados por afirmarem ser contra determinadas danças sensuais, outros são taxados por não aprovarem a participação de crentes em esportes violentos ou em grupos musicais cujas letras desrespeitam a Deus e ao próprio homem,outros são tidos como radicais ao afirmarem que não convem ao cristão assistir filmes de terror, e assim vai...

Não podemos nos conformar com práticas erradas no meio cristão, precisamos mostrar o que a Bíblia diz, independente da perseguição que podemos sofrer.

Para encerrar: O que será pior, o legalismo ou a libertinagem?
Não sei ainda, mas podemos ter a certeza que ambos precisam ser combatidos de forma inteligente. Alguém certa vez disse: “quando um erro é insistentemente repetido várias vezes seguidas ele tende a deixar de ser considerado um erro”.  Se não prezarmos pela integridade do nosso cristianismo teremos nossa integridade em crise.
Por rejeitarem o amor e a simplicidade muitas igrejas tem se tornado meras salas de aula monótonas e com professores monótonos ou simples postos de desencargo de consciência. Por rejeitarem o zelo, muitas igrejas tem se tornado meros clubes sociais ou meros teatros e casas de show.




O Senhor nos fortaleça integralmente, em nome de Jesus!