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sábado, 29 de julho de 2017

Três mitos sobre a cidade de João Pessoa que a maioria dos paraibanos acreditam


O turista que visita a capital paraibana, com certeza escutará alguém (provavelmente um guia) afirmando "João Pessoa é terceira capital mais antiga do Brasil!". Não só os guias falam isso: existe de fato uma crença muito forte entre a população local, de que tal afirmação é verídica. Aliás, até mesmo uma grande parte da imprensa local ajuda a difundir essa ideia, especialmente quando se aproximam as comemorações do aniversário da cidade.  

Não só é fácil escutar que João Pessoa é a terceira capital mais antiga de nosso país: sem dificuldade podemos ler ou escutar aqui ou acolá que "Jampa" é a terceira cidade (isso mesmo, a terceira cidade!) mais antiga do Brasil.  

Muito comum também, é escutarmos que João Pessoa é a segunda cidade mais verde do mundo, ficando atrás somente da capital francesa, Paris.

Pois bem.  Questionar e checar as informações e versões dos fatos não faz mal a ninguém. Sendo assim vejamos:

1. João Pessoa seria de fato a terceira capital mais antiga do Brasil?

Neste ano de 2017, comemora-se 432 anos de história da capital paraibana, fundada em 5 de agosto de 1585 pelos colonizadores portugueses, e,  batizada como "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves".

Mas, entre as capitais dos estados brasileiros, algumas (não somente duas!) são mais antigas do que João Pessoa:  Recife foi fundada em 1537, Salvador em 1549 e Vitória em 1551. Ou seja, aqui já percebemos que a capital do Espirito Santo já ocupa o verdadeiro terceiro lugar. 

Mas não paramos por aí: 

São Paulo foi fundada em 1554 e o Rio de Janeiro em 1565. Ou seja, a capital da Paraíba na realidade fica no sexto lugar deste ranking.

2. João Pessoa seria a terceira cidade mais antiga do Brasil?

Se a capital paraibana não é sequer a terceira capital mais antiga do Brasil, como pode ser a terceira cidade mais antiga do país? 

Se levarmos em consideração não só as capitais, como também as cidades no geral, veremos que João Pessoa passa muito longe desta ideia tão difundida.

Muitas outras cidades continuamente habitadas foram fundadas entre 1500 e 1585, como é o caso de São Vicente (1532), as cidades pernambucanas de Igarassu e Olinda (1535), e as cidades Espírito-Santenses de Vila Velha (1535) e São Mateus (1544). 

3. João Pessoa seria de fato a segunda cidade mais verde do mundo?

Eis aí outro mito bastante difundido entre os paraibanos. De fato, em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ECO-92), João Pessoa recebeu o título de "segunda cidade mais verde do mundo". Entretanto as coisas mudaram já faz algum tempo: Vários estudos e órgãos  especializados no assunto (ao exemplo do site Green571, da revista britânica The Economist e do Green City Index) apontam que entre as cidades mais verdes do mundo estão Vancouver (Canadá), Malmö (Suécia) e Reykjavik (Islândia). Entre as cidades brasileiras, o destaque fica para capital paranaense, Curitiba, que   possui cerca de 580 metros quadrados de espaços verdes para cada habitante. 


Profº Helton de Assis 
Graduado em História (UFPB) e Teologia (FAENOR)









sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O PROTESTANTISMO NO BRASIL COLONIAL


(Texto revisado)

A presença dos evangélicos no Brasil remonta o século XVI, quando os huguenotes (calvinistas de origem francesa) chegaram ao Rio de Janeiro  com o propósito de ajudar a estabelecer um refúgio para os protestantes perseguidos na França. Todavia estes tiveram problemas com  Villegaignon que entrou em conflito com os calvinistas devido a determinados posicionamentos doutrinários, especialmente no que diz respeito a questão dos sacramentos. Ordenados a saírem do Brasil, os colonos reformados embarcaram em um navio de volta para a França. Em meio a excesso de passageiros e pouca comida à bordo, a embarcação começou a afundar quando estavam ainda na altura de Cabo Frio, e assim cinco genebrinos resolveram voltar de bote.  Assim que chegaram em terra foram presos: Jean du Bordel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur. Pressionados por Villegaignon, foram obrigados a professar por escrito sua fé, no prazo de doze horas, respondendo uma série de perguntas que lhes foram entregues. Eles assim o fizeram, e escreveram a primeira confissão de fé protestante das Américas, sabendo que com ela estavam assinando a própria sentença de morte. Essa declaração de fé é conhecida como a ”Confissão de Fé de Guanabara” (1558). Em seguida, os três primeiros foram mortos e Lafon, o único alfaiate da colônia, teve a vida poupada. Balleur fugiu para São Vicente, SP, foi preso e levado para Salvador (1559-67), sendo mais tarde enforcado no Rio de Janeiro, quando os últimos franceses foram expulsos.

Quase 100 anos depois, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais com o objetivo de conquistar e colonizar territórios da Espanha nas Américas, especialmente uma rica região açucareira: o nordeste do Brasil. Em 1624, os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte. Finalmente, em 1630 eles tomaram Recife e Olinda e em seguida boa parte do Nordeste, incluindo a Paraíba.  Neste período, especialmente durante o governo do conde João Maurício de Nassau-Siegen, que governou esta região entre 1637 a 1644,  foi concedida uma boa medida de liberdade religiosa aos residentes católicos e judeus, e a Igreja Reformada da Holanda passa a ser considerada a igreja oficial. Segundo pesquisadores deste período da história brasileira foram criadas no mínimo vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios reformados (o de Pernambuco e o da Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Mais de cinquenta pastores ou “predicantes” serviram essas comunidades. 

A Igreja Reformada realizou uma intensa obra missionária junto aos indígenas. Além de pregação, ensino e beneficência, foi preparado um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução da Bíblia e a futura ordenação de pastores indígenas. Em 1654 os holandeses foram expulsos do nordeste, transferindo-se assim para o Caribe.
Segundo a historiadora cearense Jaquelini de Souza a primeira igreja protestante  brasileira surge a partir da ocupação holandesa no Nordeste: A Igreja Reformada Potiguara. Esta foi criada por índios potiguaras que foram convertidos por holandeses . Mesmo após a expulsão dos batavos, tais congregações cristãs se expandiram pela Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Perseguidos pelos portugueses tais índios convertidos se refugiaram no Ceará. 

Desde então, não se conhece relatos de cultos protestantes no Brasil colonial. Todavia,  com a chegada da família real e com a abertura dos portos  às nações amigas,  as confissões protestantes começaram paulatinamente a chegar ao país. Os Anglicanos chegam em 1811. Há registros que inclusive apontam a presença de anglicanos morando na Paraíba neste período. A Ilha Stuart (localizada no estuário do rio Paraíba) abrigou alguns ingleses anglicanos durante a primeira metade do século XIX.

Em 1824 chegam no Brasil os luteranos, os Congregacionais em 1855, os presbiterianos em 1859, e  os batistas em 1871. 


Referências bibliográficas

·         Ribeiro, Alvarez Jorge. História da Igreja Presbiteriana na Parahyba. João Pessoa: Fénix, 2003.
·         Souza, Jaquelini. A primeira igreja protestante do Brasil. Higienópoles: Mackenzie, 2013.
·         Matos, Alderi de Souza. História da Evangelização no Brasil. Viçosa: Ultimato, 2003.
·         Blog http://ipjp130anos.blogspot.com.br/   acessado em 17 de fevereiro de 2014, às 17h10min
·         Site http://istoe.com.br/reportagens/328079_OS+PRIMEIROS+PROTES
TANTES+BRASILEIROS acessado em 20 de Janeiro de 2014, às 14h25min
·         Site http://www.monergismo.com/textos/credos/confissao_guanabara.htm acessado em 20 de Janeiro de 2014, às 15h05min

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

CIGANOS DO SERTÃO DA PARAÍBA: ESQUECIDOS PELA SOCIEDADE, ESQUECIDOS PELA IGREJA


O povo cigano é literalmente um povo esquecido nos sertões do nordeste brasileiro.  A chegada dos ciganos ao Brasil é datada pelos historiadores de por volta do século XVII e sua presença no sertão é conhecida desde, no mínimo, o Brasil Imperial. Vítima de bastante preconceito, essa etnia carece de assistência por parte dos governos, da sociedade e da igreja.

Os ciganos estão presentes em todos os estados nordestinos. Na Paraíba sua presença é mais intensa no município de Sousa, onde cerca de 300 famílias ciganas estão distribuídas em dois ranchos localizados na periferia da cidade. Quem visita um desses ranchos, especialmente o chamado “rancho de baixo”, ficará chocado com a péssima qualidade de vida desse povo. Falta saneamento básico, água encanada, moradias dignas, assistência social, acesso a saúde, documentos, enfim, condições básicas de sobrevivência. Muitas famílias destas localidades encontram-se em um estado de verdadeira miséria.

Entre tantas carências desta população, podemos destacar também a espiritual. O povo cigano, ao contrário do que muitos cristãos pensam, são muito abertos a palavra de Deus. Infelizmente o preconceito e o desinteresse impregnado em muitas comunidades cristãs da região impede que atividades sociais-evangelísticas sejam desenvolvidas.

No rancho de baixo, onde centenas de ciganos estão esquecidos pelo resto do mundo, já foram desenvolvidas algumas atividades por parte de alguns crentes. Todavia os trabalhos encontram-se parados a muitos meses, ao ponto dos ciganos reclamarem na inconstância por parte dos grupos evangélicos que prometem assistência mas não cumprem. O próprio povo cigano solicita atividades por parte das igrejas, entretanto permanece a insensibilidade por parte destas.

No mês de junho passado tive a honra de visitar esta comunidade e  fiquei surpreso( e ao mesmo tempo envergonhado) ao escutar alguns ciganos manifestarem suas indignações: “Vocês crentes dizem que vão nos ajudar mas nem sequer aparecem”, “Nós gostaríamos de escutar a Palavra de Deus mas vocês se esqueceram de nós”, ou ainda, “Já pedimos para vocês virem realizar cultos aqui, mas nem isso acontece”.

Ao redor do Brasil alguns grupos cristãos tem se solidarizado em prol deste povo, como é caso da missão Amigos dos Ciganos, coordenada pelo pastor Igor Shimura, e que tem sido um canal de bençãos para ciganos várias partes do Brasil. Esta mesma oferece assistência a qualquer grupo que estiver disposto a começar um trabalho com essa comunidade. 

O chamado “rancho de cima” é beneficiado por um trabalho promovido pela missão Juvep, mas mesmo assim o trabalho carece de apoio. Ore pelos ciganos do sertão, ore pelos ciganos de Sousa, especialmente pelos do rancho de baixo. Mobilize-se em prol dessa etnia, faça alguma coisa por este povo tão necessitado de ajuda. Deus ama os ciganos, então ame-os também.

“Abra sua boca; julga retamente, e faze justiça ao pobre e ao necessitado.” (Prov. 31.9)