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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A ARQUEOLOGIA E A BÍBLIA

Rodrigo P. Silva
Texto extraído de http://novotempo.com/evidencias 

















Das muitas definições dadas à Bíblia, é provável que uma das mais interessantes tenha sido a de Gerald Wheeler que definiu a inspiração como “Deus falando com sotaque humano”. De fato, a Bíblia é a Palavra do Altíssimo entrando em nossa história e participando ativamente dela.
Logo, seria interessante lembrar que as Escrituras Sagradas não nasceram num vácuo histórico. Elas possuem um contexto cultural que as antecede e envolve. Suas épocas, seus costumes e sua língua podem parecer estranhos a nós que vivemos num tempo e geografia bem distantes daqueles fantásticos acontecimentos, mesmo assim são importantíssimos para um entendimento saudável da mensagem que elas contêm.
Como poderíamos, então, voltar a esse passado escriturístico? Afinal, máquinas do tempo não existem e idéias fictícias seriam de pouco valor nesta jornada. A solução talvez esteja numa das mais brilhantes ciências dos últimos tempos: a Arqueologia do Antigo Oriente Médio.
Usada com prudência e exatidão, a Arqueologia poderá ser uma grande ferramenta de estudo não apenas para contextualizar corretamente determinadas passagens da Bíblia, mas também para confirmar a historicidade do seu relato. É claro que não poderemos com a pá do arqueólogo provar doutrinas como a divindade de Cristo ou o Juízo final de Deus sobre os homens. Esses são elementos que demandam fé da parte do leitor. Contudo, é possível – através dos achados – verificar se as histórias da Bíblia realmente aconteceram ou se tudo não passou de uma lenda. Aí, fica óbvio o axioma filosófico: se a história bíblica é real, a teologia que se assenta sobre essa história também o será. Talvez seja por isso que ao invés de inspirar a produção de um manual de Teologia, Deus soprou aos profetas a idéia de escreverem um livro de histórias que confirmassem a ação divina em meio aos acontecimentos da humanidade.
Como tudo começou







Dizer exatamentequando começou a arqueologia bíblica não é tarefa fácil. Na verdade, desde os primeiros séculos da era cristã já havia pessoas que se aventuravam na arte de tirar da terra tesouros relacionados à história da Bíblia Sagrada. Helena, a mãe de Constantino, foi uma dessas “pioneiras” que numa peregrinação à Terra Santa demarcou com igrejas vários locais sagrados onde supunham ter ocorrido algum evento especial. Muitos destes locais servem até hoje de ponto turístico no Oriente Médio.
As técnicas porém desses primeiros empreendimentos eram bastante duvidosas e o fervor piedoso levava as pessoas a verem coisas que na verdade nem existiam. Aparições de santos, sonhos e impressões eram o suficiente para demarcar um local como sendo o exato lugar da crucifixão ou do nascimento de Cristo.
Mas a partir do final do século XIII, a arqueologia das Terras Bíblicas começou finalmente a ter ares de maior rigor científico. A descoberta acidental da Pedra de Roseta, ocorrida em 1798, levou vários especialistas a se interessarem pela história do Egito, da Mesopotâmia e da Palestina, descobrindo um passado que há muito se tinha por perdido.
Babilônia, Nínive, Ur e Jericó foram apenas algumas das muitas localidades que começaram a ser escavadas revelando importantes aspectos da narrativa bíblica. Para os críticos que na ocasião levantavam argumentos racionalistas contra a Palavra de Deus, os novos achados representavam um grande problema, pois desmentiam seus arrazoados confirmando vários elementos do Antigo e do Novo Testamento.
Um exemplo pode ser visto no próprio ceticismo com que encaravam a existência de uma cidade chamada Babilônia. Muitos pensavam que tal reino jamais existira. Era apenas o fruto mitológico da mente de antigos escritores como Heródoto e os profetas canônicos. Até que, finalmente, suas ruínas foram desenterradas em 1899 pelo explorador alemão Robert Koldewey, que demorou pelo menos 14 anos para escavar as suas estruturas.
Mais tarde veio a descoberta de várias inscrições cuneiformes que revelaram o nome de pelo menos dois personagens mencionados no livro de Daniel, cuja historicidade também tinha sido questionada pelos céticos. O primeiro foi Nabucodonosor, o rei do sonho esquecido e o segundo, Belsazar que viu sua sentença de morte escrita com letras de fogo nas paredes de seu palácio.
Contribuições adicionais
Além de ajudar tremendamente na confirmação de episódios descritos na Bíblia, a arqueologia presta um grande serviço ao estudo elucidativo de determinadas passagens. Graças a ela, é possível reconhecer o porquê de alguns comportamentos estranhos à nossa cultura. É o caso de Raquel roubando deliberadamente os “ídolos do lar” que pertenciam a Labão, seu pai (Gn 31:34). Aparentemente o delito parecia ter um fim religioso, mas antigos códigos de lei sumerianos revelaram que naquela época a posse de pequenos ídolos do lar (comumente chamados de Terafim) era o certificado de propriedade que alguém precisava para firmar-se dono de uma terra. Caso os ídolos fossem parar nas mãos de outra pessoa, essa se tornava automaticamente a proprietária dos terrenos que eles demarcavam. Por serem pequenos, poderiam facilmente ser roubados e cabia ao dono o cuidado de guardá-los para não ser lesado. Foi portanto num descuido de Labão que Raquel roubou seus ídolos (ou seja suas escrituras) com o fim de entregá-los posteriormente a Jacó, e fazer dele o novo senhor daquelas terras. Tratava-se, portanto, de uma tentativa de indenização do esposo pelo engano que o levou a sete anos extras de trabalho nas terras de seu pai.
Várias palavras e expressões antigas também tiveram seu significado esclarecido pelo trabalho da arqueologia. O nome de Moisés, que certamente não era de origem hebraica pode ter sua explicação na raiz do verbo egípcio ms-n que significa “nascer ou nascido de”. Não é por menos que muitos faraós e nobres da corte egípcia tinham o seu apelido formado pela junção desse verbo e do nome de uma divindade. Por exemplo: Ahmose (“nascido de Ah, o deus da lua”); Ramose (“nascido de Rá, o deus sol”), Thutmose (“nascido de Thot, outra forma do deus da lua”). É possível que Moisés (ou em Egípcio Mose) também tivesse originalmente o nome de um deus local acoplado ao seu próprio nome. Talvez fosse Hapimose (o deus do Nilo) uma vez que, de acordo com Êxodo 2:10, a rainha escolheu chamá-lo assim, porque das águas do Nilo o havia tirado.
Uma embaraçosa situação entre Jesus e um discípulo também pode ser esclarecida pela arqueologia. Trata-se do episódio descrito em Lucas 9:59, onde o Senhor aparentemente nega a um jovem que queria seguir-lhe o direito de sepultar o seu próprio pai. Olhando pela cultura moderna ocidental, dá-se a impressão que o pai do moço estava morto em um velório e que ele estaria pedindo apenas algumas “horas” a Cristo para que pudesse seguir o féretro e, logo em seguida, partir com o Senhor. Um pedido, a princípio, bastante justo para não ser atendido!
Mas as dificuldades se esvaem quando entendemos pelo resgate arqueológico que, naquela época (e também hoje, nalguns idiomas como o árabe e o siríaco), a expressão “sepultar o meu pai” seria um idiomatismo que nem de longe indicava que seu pai houvesse recentemente morrido! Tanto o é que o episódio se dá “caminho fora” (Lc. 9:57). Se o pai do jovem houvesse morrido o que estaria ele fazendo à beira da estrada? Na verdade, essa expressão idiomática significava que o pai estava sadio e feliz e que seu filho prometia sair de casa apenas depois que ele morresse.
Ademais, segundo o costume oriental, quando o pai morria, o filho mais velho ficava encarregado do seu sepultamento, mas esse também não ocorria imediatamente após a sua morte. Primeiramente o corpo era banhado, perfumado e envolvido num lençol para ser depositado numa gruta tumular onde ficava deitado sobre uma cama de pedra por um ano ou mais até que a carne houvesse completamente sido decomposta restando apenas os ossos. Então, nesse dia, o filho retirava a ossada de seu pai, colocando-a delicadamente num pequeno caixão de pedra (conhecido como ossuário) e, somente aí, tinha-se finalmente completado o “sepultamento”, isto é, vários meses após a morte do indivíduo.
Com esse pano de fundo trazido dos estudos arqueológicos o diálogo de Jesus com aquele jovem passa a ter outra dimensão. Esclarece-se a questão e torna o texto mais compreensivo e agradável de se ler.
È curioso como a Bíblia – evidentemente usando uma figura de linguagem – descreve a teimosia do rei do Egito com a idéia de que Deus endureceu (literalmente “petrificou”) o coração de Faraó. O estudo das línguas orientais mostra que Deus muitas vezes é colocado como autor daquilo que Ele na verdade apenas tolera. É um limite do idioma e nada mais. Nós também temos as mesmas limitações em nossa língua pátria: quando dizemos a alguém “vá com Deus” ou “que o Senhor te acompanhe” não estamos com isso negando a onipresença do Altíssimo como se Ele precisasse “ir” a um lugar onde já não estivesse. Também não estamos de maneira nenhuma nos matando quando dizemos: “Estou morto (isto é, cansado)!”
A idéia de um faraó de coração duro pode ser ainda mais esclarecida se atentarmos para o fato de que o estudo de várias múmias revelou o estranho costume egípcio de colocar dentro do corpo mumificado um escaravelho de pedra bem no lugar do coração. Esse amuleto servia ao defunto como uma espécie de salvo conduto no juízo final perante Osíris. Um coração normal (que era pesado na balança da deusa Ma’at) poderia denunciar os seus pecados fazendo-o perder um lugar no paraíso. Mas um coração de pedra, enganaria os deuses. Ocultaria os erros que ele cometeu garantindo-lhe o paraíso, mesmo que houvesse levado uma vida de constantes pecados. Ter, portanto, um coração duro (ou “de pedra”) era para Faraó a certeza de uma salvação forjada à custa do engano dos deuses! Daí a forma irônica e eufemística de dizer: “Deus endureceu o coração de faraó”.

Arqueologia do Antigo Testamento
Estes são alguns dos principais achados alusivos ao Antigo Testamento:
1 – Leis mesopotâmicas – uma coleção de várias leis datadas do terceiro e segundo milênios antes de Cristo que ilustram em muitos detalhes o período patriarcal. O conhecido código de Hamurabi (c. 1750 a.C.) é uma delas.
2 – Papiro de Ipwer – trata-se da oração sacerdotal de um certo egípcio chamado Ipwer que reclama junto ao deus Horus as desgraças que assolavam o Egito. Entre elas ele menciona o Nilo se tornando em sangue, a escuridão cobrindo a terra, os animais morrendo no pasto e outros elementos que lembram muito de perto as pragas mencionadas no Êxodo.
3 – Estela de Merneptah – uma coluna comemorativa escrita por volta de 1207 a.C. que conta as conquistas militares do faraó Merneptah. É a mais antiga menção do nome “Israel” fora da Bíblia. Alguns céticos insistem em negar a história dos Juízes dizendo que Israel não existia como nação naqueles dias. Porém, a Estela de Merneptah desmente essa afirmação ao mencionar Israel entre os inimigos do Egito.
4 – Textos de Balaão – fragmentos de escrita aramaica foram encontrados em Tell Deir Allá (provavelmente a cidade bíblica de Sucote). Juntos eles trazem um episódio na vida de “Balaão filho de Beor” – o mesmo Balaão de Números 22. Os textos ainda descreviam uma de suas visões, indicando que os cananitas mantiveram lembrança desse profeta.
5 – Estela de Tel Dã – outra placa comemorativa, desta vez da conquista militar da Síria sobre a região de Dã. Encontrada em meio aos escombros do sítio arqueológico, a inscrição trazia de modo bem legível a expressão “casa de Davi” que poderia ser uma referência ao templo ou à família real. Porém o mais importante é que mencionava pela primeira vez fora da Bíblia o nome de Davi, indicando que este fora um personagem real.
6 – Obelisco negro e prisma de Taylor – Estes artefatos mostram duas derrotas militares de Israel. O primeiro traz o desenho do rei Jeú prostrado diante de Salmanazar III oferecendo tributo e o segundo descreve o cerco de Senaqueribe a Jerusalém, citando textualmente o confinamento do rei Ezequias.
7 – Inscrição de Siloé –  encontrada acidentalmente por algumas crianças que nadavam no tanque de Siloé, essa antiga inscrição hebraica marca a comemoração do término do túnel construído pelo rei Hezequias, conforme o relato de II Crônicas 32:2-4.
Arqueologia do Novo Testamento
Estes são alguns dos principais achados alusivos ao Novo Testamento:
1 – Ossuários de Caifás e (possivelmente) Tiago irmão de Jesus – Alguns ossuários costumavam trazer uma inscrição com o nome da pessoa que estaria ali. Sendo assim, dois ossuários chamaram a atenção dos arqueólogos. O primeiro foi encontrado em 1990 e legitimado como sendo do mesmo Caifás mencionado em Mateus 26 e João 18. Já o segundo, cuja autenticidade é disputada entre os especialistas, pertenceria a Tiago, um dos irmãos de Jesus conforme o texto de Mateus 13:55. Caso se demonstre verdadeiro, este ossuário será a mais antiga menção do nome de Jesus que temos notícia.
2 – O esqueleto do crucificado – Um outro ossuário encontrado em 1968 revelou a ossada de um certo Yehohanan (“João” em aramaico) que morrera crucificado. Seu calcanhar ainda trazia um pedaço torcido do prego romano. Esse foi o único exemplar de um crucificado de que temos notícia. Graças ao seu estudo foi possível levantar importantes detalhes sobre os modos de crucifixão usados no tempo de Cristo.
3 – Inscrição de Pilatos – Uma placa comemorativa encontrada em Cesaréia Marítima no ano de 1962 revelou o nome de Pilatos como prefeito da Judéia. Antes disso, sua existência histórica era questionada pelos céticos.
4 – Cafarnaum – A cidade onde Jesus morou foi escavada e preservada para visitação. Ali é possível se ver os restos de uma sinagoga e uma igreja bizantinas que foram respectivamente construídas sobre a sinagoga dos dias de Jesus e a casa de Pedro, o líder dos doze apóstolos.
Qumran e os Manuscritos do Mar Morto
Um isolado sítio arqueológico foi acidentalmente descoberto por um garoto beduíno em 1947, nas redondezas do Mar Morto junto ao deserto da Judéia. Ali podem ser vistas as ruínas de Khirbet Qumran onde, segundo a opinião de muitos, viveram os antigos essênios, uma facção religiosa judaica que rompera com o partido sacerdotal de Jerusalém.
Mas o achado do garoto foi ainda mais surpreendente. Ele descobriu numa das grutas locais antigas cópias do Antigo Testamento e outros livros judaicos que estavam guardados por quase dois mil anos.
Juntos esses manuscritos (advindos de pelo menos 11 cavernas) formavam uma enorme biblioteca de textos inteiros ou fragmentados que contextualizam o judaísmo dos dias de Cristo. E mais, ajudam a estabelecer a confiança na transmissão texto bíblico, uma vez que não possuímos nenhum dos originais que saíram das mãos dos profetas.
Ocorre que, até ao achado dos manuscritos do Mar Morto, as cópias hebraicas mais antigas da Bíblia datavam do século 10 d.C., ou seja, mais de mil anos depois da produção do último livro vétero-testamentário. E que certeza teríamos, além da fé, de que não houve alterações substanciais no texto? Sendo assim, o achado de Qumran foi bastante providencial pois proveu-nos de cópias da Bíblia Hebraica que datavam de até 250 a.C..
Quando essas cópias foram comparadas ao texto hebraico massorético (aquele tardio sobre o qual baseavam-se as traduções modernas) demonstrou-se claramente que elas confirmavam a fidedignidade da versão que possuíamos. Se a Bíblia tivesse sido drasticamente alterada ao longo dos séculos, os Manuscritos do Mar Morto demonstrariam isso pois, afinal, foram produzidos antes mesmo do surgimento do cristianismo.
O achado de Qumran, pois, constitui a maior descoberta bíblica de todos os tempos.
Conclusão
Certa vez ao entrar glorioso em Jerusalém, Jesus declarou em meio à multidão que ainda que os filhos se calassem, as próprias pedras clamariam (Lc 19:40). Por que não poderíamos ver na arqueologia um cumprimento destas palavras? De uma maneira silenciosa, porém bastante ativa, pedras, cacos de cerâmica, restos de fortalezas e antigos manuscritos clamam que a história é verdadeira, que Deus é tão real que quase dá para tocá-lo.
A arqueologia é certamente um presente do céu aos crentes. Seu conhecimento é uma excelente ferramenta na compreensão, no estudo e na proclamação da Palavra de Deus!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

MANUSCRITOS DO MAR MORTO FINALMENTE ESTÃO DISPONIVEIS NA INTERNET


Achados em 1947 por pastores de cabras israelenses, os manuscritos de Qunram (referencia as cavernas onde estes foram encontrados) , ou, manuscritos do Mar Morto são achados de grande importância para arqueologia e para as religiões Judaica e Cristã. Estes manuscritos, são porções de toda a Bíblia Hebraica (exceto do Livro de Ester e do Livro de Neemias), alguns livros apócrifos e também registros de regras da seita dos essênios.  Os Manuscritos do Mar Morto foram datados como sendo do século II a.C, passando a ser considerados como versão mais antiga do texto do Antigo Testamento, 

Após um longo e delicado trabalho de digitalização, a Autoridade de Antiguidades israelense anunciou que os valiosos manuscritos já podem ser consultados na internet. Segundo o site GospelPrime, para poder colocar este rico material na internet foi preciso usar técnicas modernas de tratamento de imagem que foram desenvolvidas pela Nasa. Com esta técnica é possível arquivar e tirar do anonimato o conjunto de milhares de fragmentos de manuscritos.O link para acessar o material é http://dss.collections.imj.org.il/

domingo, 27 de maio de 2012

Noé e o Dilúvio: Breve comentário Histórico-Teológico



Não existem provas que comprovem que a narrativa de Noé e o diluvio é mitológica. Infelizmente pouquissimos conhecem a verdade dos fatos acerca da historicidade desta narrativa. Aqui pretendo fazer uma breve abordagem histórica sobre este episódio bíblico. 


A narrativa sobre Noé começa com a afirmação de que ele era um “homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos”. Noé era correto e sincero, embora não livre do pecado. Podemos dizer que Noé, apesar de ser pecador, não havia se depravado tanto como os demais de sua época. A narrativa também diz que Noé “andava com Deus”, o que implica dizer, que, assim como Enoque, Noé possuía uma conduta marcada pela comunhão íntima com o Criador.

Algumas pessoas tem dificuldade de imaginar Deus em um estado de ira. Porém a narrativa do dilúvio mostra claramente que a paciência de Deus tem limite. Nessa história, vemos que, Deus pretendia fazer uma “reciclagem” com a humanidade. Os homens haviam passado do limite e iriam agora colher o que plantaram.

Deus mandou Noé construir uma barca que fosse resistente a catástrofe que estava por vir. Assim ele e sua família teriam como se refugiar em meio a destruição.

Incrivelmente a narrativa mostra que o próprio Deus foi o projetista da Arca. As dimensões deste navio eram, em números redondos, 135m de cumprimento, 23m de largura e 20m de altura. A partir dessas medidas podemos notar alguns fatos curiosos:
·         Um navio com tais dimensões teria um deslocamento de 20.000 toneladas e uma tonelagem bruta de 14.000 toneladas.
·         Sua capacidade de carga equivalia à de 522 vagões de trem (cada um dos quais com capacidade para 240 ovelhas), o que implica dizer que era um espaço onde poderia ser colocadas mais de 125.000 ovelhas.
·         Cientistas sérios, como o Profº Adauto Lorenço, afirmam que a capacidade da arca de Noé, era sufisciente para comportar todas as espécies de animais da terra. É importante observar que muitos animais não precisaram entrar na Arca, como foi no caso dos peixes e de muitas espécies de vermes, entre outros. Deve-se ainda lembrar que a maior parte dos animais existentes não possuem grande tamanho, e que a Arca estaria levando animais jovens, ou ainda, filhotes. Filhotes são menores e consomem menos alimento, assim como também, são mais fáceis de domesticar. Outro aspecto importante de lembrar: a hibernação de muitas espécies foi algo que ajudou muito.
·         Nem todos os compartimentos precisaram ser ocupados por animais. Os que sobraram serviam para armazenamento de mantimentos.
·         O Espírito Santo interviu de várias maneiras para ajudar Noé. Seja agindo no deslocamento dos animais, seja no controle deles.


A arca de Noé simboliza a segurança ante a destruição, ou a salvação em vista ao julgamento. Também podemos enxergar a Arca de Noé como uma alusão a Cristo, que é aquele que nos abriga.


Tratando-se do dilúvio em si, até hoje é impossível determinar a sua data exata. As estimativas o colocam entre 13.000 e 3000 a.C..

A extensão do dilúvio tem sido objeto de discussão.  Por um lado, muitos defendem que o dilúvio foi a nível mundial, por outro lado, existem muitos que acreditam que o dilúvio foi limitado a determinada região do globo. Quanto a minha opinião, creio que o dilúvio dificilmente não ocorreu em escala global, pois, entre muitas evidências podemos destacar que:
·         Os historiadores e antropólogos afirmam que em quase todas as cultura, ao redor de todo o planeta, podemos notar a presença de lendas e tradições que guardam histórias de dilúvios. Narrativas diluvianas podem ser encontradas na cultura oral dos mais diversos povos, como Assírios, Babilônicos, Persas e Gregos. Ainda hoje etnias bastante isoladas  conservam esta tradição, como é o caso de muitos grupos de aborígenes que vivem na polinésia, ou ainda, grupos de índios da América do Norte. Entre todas as versões extra-bíblicas, a mais conhecida é a famosa Épopéia de Gilgamesh, escrita a mais de quatro mil anos atrás.
·         Apesar de muitos cientistas não acreditarem em um dilúvio tão grande, ao ponto de cobrir os montes mais altos, o fato é que muitos pesquisadores sérios conseguem enxergar marcas deste acontecimento em todo o globo.
·         Contrariamente a idéia de que não havia água sufisciente para ocorrer um evento como esse, afirmo que, precisamos lembrar do fato que as condições climáticas da terra pré-diluvianas eram muito diferentes das de hoje. Pesquisadores tem concluído que a atmosfera terrestre era muito mais úmida, o que implica dizer que havia mais água caindo do céu do que imaginamos. Outro fator importante: As águas da camada meso-oceânica, juntamente com todas as reservas dos aqüíferos, foram utilizadas por Deus.
·         A linguagem dos capítulos sexto a nono de gênesis refere-se a um dilúvio de dimensões globais.

É baste interessante notarmos que um grande numero de pessoas nas últimas décadas tem afirmado que avistaram resquícios da Arca de Noé no Monte Ararat, localizado na divisa entre a Turquia e a Armênia. Recemente a imprensa internacional divulgou que um grupo de arqueólogos chineses teria realizado uma descoberta no alto deste monte e que a possibilidade de ser a Arca de Noé era de 99.9 %. Veja a seguinte reportagem publicada pelo site Terra, em 28 de Abril de 2010:


Fotos de satélites têm mostrado que no geladíssimo e inóspito Ararat existe uma anomalia geológica, que tem levado muitos pesquisadores a afirmarem que aquela seria a Arca sob a neve.

Ao contrário das idéias dos céticos contra a historicidade da narrativa bíblica do dilúvio, podemos perceber que as evidências que apontam para a realidade e literalidade desta história são muitas.


Anormalia geológica no Monte Ararat (Imagem de satélite)

Ao fim da narrativa, após as águas do dilúvio baixarem e os remanescentes novamente pisarem na terra firme, é realizado um culto ao Senhor. Nessa ocasião  Deus promete a Noé e sua família que nunca mais destruiria a terra com um dilúvio. 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

·        Alexander, Pat; Alexander, David (Organizadores). Manual Bíblico SBB. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
·        Dockery, David (Editor Geral). Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Edições Vida Nova, 2001.
·        Bíblia de Estudo de Genebra, 2ª Edição. São Paulo: Cultura Cristã; Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
·        Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
·        Ryre, Charlles. Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 2009
·        Júnior, Guilherme Stein. A Torre de Babel e seus mistérios. Brasilía: Sociedade Criacionista Brasileira, 1998.
·        Lorenço, Adauto J.B. Como tudo começou. São José dos Campos: Fiel, 2007.
·        Champlin, Norman. O Antigo Testamento Interpretado. São Paulo: Hagnos, 2001.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MINHA OPINIÃO POSTADA NO HYPESCIENCE SOBRE A EXPEDIÇÃO QUE TERIA ACHADO A ARCA DE NOÉ ANO PASSADO


Olá Pessoal,

A cerca de um ano e meio uma expedição chinesa afirmou ter achado uma grande estrutura no alto do monte Ararat (na Turquia) que dificilmente não seria a Arca de Noé. Desde lá tenho acompanhado o site da expedição e venho escrevendo algumas coisas sobre o achado.

Desta vez gostaria de postar o comentário que fiz no site HYPESCIENCE a respeito do achado e da historicidade da versão bíblica sobre o diluvio:


A expedição era composta por pesquisadores sérios.
Encontraram uma estrutura de madeira com data equivalente com o que a tradição Judaica-Cristã afirma.
Devido ao tamanho e estrutura do achado, seria bastanteeee coicidencia,além do mais pelo fato da suposta arca esta localizada a grande altitude, em um lugar inabitável, gelada e geograficamente perigosa.
Também foram encontradas cordas e muito feno. sem falar que as divisões do achado nos lembra compartimentos.

Sobre a epopéia de Gilgamesh, gostaria de dizer que de fato existem vestigios arqueológicos muito mais antigos do que fragmentos da Torá Judaica. Mas todos estudioso do Antigo Testamento sabem que a narrativa passou muitos séculos na tradição oral antes de ser transcrito para os pergaminhos.
E a tradição oral hebraica era bastante rígida na época.
De fato, a TRANSCRIÇÃO de uma narrativa diluviana mais antiga que conhecemos é a sumeriana.
Acredito que o relato Judaico é mais antigo
Lembro também que na maioria das mitologias dos mais variados povos ao redor do mundo voce poderá encontrar relatos sobre um díluvio que nos lembrará da narrativa de Gênesis. Isso me faz pensar na real possibilidade de todas essas versões terem derivação de um só lugar: O Dilúvio como o judaísmo e o cristianismo vêem (Que além do mais é o mais detalhado, pode ler).
Defendo plenamente e racionalmente a historicidade desta narrativa. Pena que poucos estudiosos da Bíblia sabem e defendem isso em meio a um historicismo metido a neutro, laico e imparcial (Que muitas vezes pareçe ser ateista e não assim).
Sobre a expedição vejam o site especial da equipe
http://www.noahsarksearch.net/eng/release.php